sexta-feira, 29 de julho de 2011

TENHA UM DIA FELIZ...

Carlos Drummond de Andrade

Desejo à você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mal humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com os amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado Escrever um poema de amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

A CIDADE DE LUIS GOMES

Maria Aparecida Fernandes Pascoal (Professora Cidinha)

Luis Gomes − cujo nome é uma homenagem ao seu fundador, o Tenente Coronel Luis Gomes de Medeiros, natural de Caicó, que chegou a essa região, no ano de 1756, com o objetivo de edificar raízes e construir o futuro − recebeu como primeiro nome Serra do Senhor Bom Jesus. O seu escravo Jacó cuidou das primeiras plantações e da construção das primeiras e pequenas casas, dando, assim, inicio à povoação. Com o passar dos anos, os moradores da localidade decidiram homenagear o desbravador caicoense batizando a Serra de então com o nome de Luis Gomes. Em cinco de julho de 1890, por meio da Lei Nº 31, Luis Gomes foi emancipado do município de Pau dos Ferros e tornou-se município autônomo do Estado do Rio Grande do Norte. Luís Gomes tem uma área de 181,5 km² e uma altitude de 653m. A distância da sede do Município até a capital do Estado, Natal, é de 524 km.


Uma geração constrói as estradas por onde as outras trafegarão. Em Luís Gomes não foi diferente. Os primeiros moradores edificaram casinhas de sapê, trocavam produtos e mercadorias lançando os embriões de um vigoroso comércio futuro, cultivavam plantações, cujos cereais e frutos lhes serviam de alimentos, da pecuária extraíam produtos fundamentais para o seu sustento - especialmente o leite e a carne. Tudo isso marcou o inicio de uma história que hoje se concretiza sob a égide do progresso e do desenvolvimento. Parafraseando William Shakespeare pode-se dizer que “o tempo é algo que não volta atrás, por isso a persistência é o caminho do êxito. Faz-se necessário que plantemos o nosso jardim para decorar nossa alma... ao invés de esperar que alguém nos traga flores”.
Oh, Luís Gomes!
Orgulha-te da determinação e do caráter do teu povo!
Regozija-te, e agradece à Mãe Natureza, por tuas condições geográficas especiais e singulares, que te permitem revelar ao mundo a exuberância da tua fauna e flora, das tuas paisagens e dos teus poéticos e promissores horizontes. Algumas de tuas belezas, outrora tímidas e encobertas, como o Mirante, o Balneário do Riacho Relo e o Alto do Tambor, foram definitivamente descortinadas e hoje são uma realidade, são pontos de atração, de embevecimento, de orgulho, verdadeiros portais de progresso e desenvolvimento.
Luis Gomes por tradição é uma terra hospitaleira. A cidade escancara as suas portas, numa profusão contagiante de alegria e de júbilo para abraçar os seus filhos, seus admiradores e seus visitantes.
Oh, filhos desta terra!
Filhos que permanecem ligados a este rincão por um cordão umbilical que a força do tempo não destrói e faz com que, a cada temporada, todos voltem às suas origens para sentirem o frio encantador, o cheiro da terra, os pingos da chuva, o charme e o aconchego das manhãs e noites enevoadas; para verem a beleza das gotas de orvalho, do crepúsculo que suavemente faz adormecer o astro-rei, para verem o luar do nosso sertão, mas, sobretudo, para se confraternizarem com os seus familiares, amigos e conterrâneos e para receberem as bênçãos de sua padroeira Senhora Santana. Avante terra querida! O progresso é a tua sina!


Bom dia minha princesa encantada! Bom dia meu pedacinho do céu, encravado no cume dessas terras altaneiras, banhado pela neblina característica desse período invernoso, porém aquecida pelo sol reluzente que fertiliza os seus campos e emana energia ao seu povo.
Ao despertar, nessa manhã de aniversário, recebe chuvas de bênçãos e de graças advindas do nosso Criador, que nos concede o privilégio deste presente… E aqui se invertem os papeis, pois é o aniversariante que oferece dádivas e, para merecê-las, seus filhos se empenham na luta pela dignidade, pelo progresso e pelo desenvolvimento deste rincão que nasceu à sombra da fé, numa humilde capelinha, dedicada a excelsa padroeira senhora Santana, a Santana Gloriosa que recebe as nossas súplicas e nos acolhe com carinho maternal.
Tenho contigo Luis Gomes um caso de amor… A sua história se confunde com a minha, não só pelo fato de haver nascido nesse sagrado chão e pela feliz oportunidade de haver contribuído para a educação do seu povo, mas acima de tudo por ter sido em Luis Gomes que adquiri experiências novas, amadureci projetos de vida, que me condicionaram à orientação da minha família no caminho da ciência, da dignidade, da paz e da justiça.
Voltar a Luís Gomes é, como diz o cantor, rever os verdes campos do lugar, é sentir o cheiro do mato, da terra molhada, é saborear a pinha, o caju, a tapioca, o beju, a rapadura, é caminhar a esmo pelas ruas e pelo mercado público nas feiras de domingo, é participar do novenário de Santana, é aprender nas homilias de Padre Osvaldo e de outros tantos inspirados sacerdotes, é admirar o show pirotécnico no pátio da igreja após a sagrada missa, é se entusiasmar nos leilões apregoados pelo mestre Tião, é se emocionar com os acordes retumbantes da nossa banda de música “Dr. Vicente Lopes”, é sorrir no reencontro com os amigos, filhos ausentes, compadres, comadres, afilhados, ex-alunos, colegas de profissão, com os populares... Voltar à minha terra é tudo isso, mas é também curtir as saudades, saudades de tantos momentos fotografados pela lente da emoção e que estão guardados num valoroso baú chamado coração.
Estar aqui é também ter saudades do futuro. É renovar as esperanças. É saber que as gerações de homens públicos e cidadãos de bem continuarão trilhando o caminho da ética, da fraternidade, da generosidade e do desenvolvimento.
Luis Gomes, terra abençoada! A você, a minha eterna gratidão e minha eterna saudade

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A ORAÇÃO DE JULHO

Frei Walter Hugo de Almeida, OFM


Coração Sagrado de Jesus, estamos na era da Ciência, da Tecnologia. A Medicina faz "milagres". Embora, Senhor, traga solução para certos males, jamais terá solução para os da vida interior. Mês de teu Coração, lembramos que és o único Médico capaz de curar nossos corações! A Ciência nunca poderá curar estas doenças: ódio, inveja, vaidade, injustiça, e tantas outras do espírito humano. Purificando-nos, Senhor, arranca-nos dos caminhos do erro, sagra-nos no teu fogo de amor, mansidão, humildade do teu Coração, na obediência do teu viver na Vontade do Pai. Morada da Paz, abriga em ti todos os enfermos! Acalma-nos nas tempestades! Acende em nós o desejo do Céu, na construção do caminho da santidade. Amém.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

No tempo da minha infância.

De: Ismael Gaião*

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Bebi leite ao natural
Da minha vaca Quitéria
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria

A barriga da miséria
Tirei com tranqüilidade
Do pão com manteiga e queijo
Hoje só resta a saudade
A vida ficou sem graça
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração

Com a modernização
Quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido
Fazendo tudo que eu fiz
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

Vi o meu pai dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag
Sem cinto de segurança
E eu no banco de trás
Solto, igualzinho aos demais
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança
Por ter sido reprovado
Ninguém ia ao psicólogo
Nem se ficava frustrado
Quando isso acontecia
A gente só repetia
Até que fosse aprovado

Não tinha superdotado
Nem a tal dislexia
E a hiperatividade
É coisa que não se via
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira
E essa água engarrafada
Que diz-se esterilizada
Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos
E descalço, na areia
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé
Gata Pintada, Esta Rua
Pai Francisco e De Marre
Também cantei Tororó
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia
Não tinha vídeo cassete
Muito menos internet
Como se tem hoje em dia

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço
Não existia ração
Nem brinquedo feito osso
E para as pulgas matar
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira
Ou numa água bem fria
Debaixo duma torneira
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

Comecei a trabalhar
Com oito anos de idade
Pois o meu pai me mostrava
Que pra ter dignidade
O trabalho era importante
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade

Mas hoje a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez...

Ismael Gaião da Costa, nasceu em Condado-PE, Zona da Mata Norte de Pernambuco, em 07 de maio de l961. Atualmente reside no Recife-PE.
Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE - Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.
Publicou 25 (vinte e cinco) Cordéis e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais).
Escreveu o seu primeiro livro: "UMA COLCHA - Cem Retalhos", com lançamento, pela CEPE - Companhia Editora de Pernambuco, do Governo do Estado.
Realiza o Show "Estandi-ap de Poesia Matuta", em parceria com o poeta Felipe Júnior e o Show "Tripé da Rima", com a poetisa Susana Morais e o poeta Felipe Júnior.